Quando se fala de videojogos, a imagem que muitas vezes surge é a de um adolescente em frente a um ecrã. Os dados mais recentes contam uma história diferente: na Europa, a maioria de quem joga é adulta, e há jogadores em todas as faixas etárias, das crianças aos avós.
O relatório europeu All About Video Games 2025, da Video Games Europe e da EGDF, mostra que 51% da população entre os 6 e os 75 anos joga videojogos, o equivalente a 199 milhões de pessoas nos 16 mercados analisados. Mais do que uma atividade de uma geração, os videojogos são hoje uma experiência que atravessa idades e que pode ser partilhada em família.
Quem joga na Europa
Os números contrariam a ideia de que os videojogos são coisa de jovens. Segundo o relatório europeu, 77% dos jogadores são adultos e a idade média de quem joga é de 34 anos. As mulheres representam 46% dos jogadores, com uma idade média de 35 anos. Na área Saúde e Inclusão, a AEPDV reúne mais informação sobre a diversidade de quem joga.
A edição de 2023, baseada nos cinco maiores mercados europeus, já mostrava esta diversidade: quase um em cada quatro jogadores (23%) tinha entre 45 e 64 anos, a faixa etária com maior peso no conjunto analisado. Nesse ano, 32% das pessoas desta faixa etária jogavam videojogos.
A tendência confirma-se noutros estudos internacionais. O relatório Power of Play 2025, da Entertainment Software Association (ESA), ouviu mais de 24 mil jogadores que jogam pelo menos semanalmente, com 16 ou mais anos, em 21 países. A idade média dos participantes era de 41 anos e 22% tinham 55 ou mais anos. Nos Estados Unidos, um estudo distinto da ESA, representativo da população entre os 5 e os 90 anos, concluiu que 49% das pessoas entre os 61 e os 79 anos e 36% das pessoas entre os 80 e os 90 anos jogavam pelo menos uma hora por semana.
Estes números devem ser lidos com cuidado: cada estudo usa amostras, países, faixas etárias e definições de jogador diferentes, pelo que os resultados não são diretamente comparáveis. Portugal também não integra a amostra do relatório europeu de 2025. Ainda assim, os estudos apontam no mesmo sentido: os videojogos são utilizados por pessoas de diferentes gerações. Estes e outros estudos sobre o setor podem ser consultados na área Publicações da AEPDV.
Diferentes gerações, diferentes formas de jogar
A diversidade de idades reflete-se também na forma como se joga. Entre os jogadores abrangidos pelo relatório europeu, 82% jogam em smartphones ou tablets, 47% em consolas e 34% em computador. A variedade de dispositivos e de modelos de acesso ajuda a explicar a presença dos videojogos em diferentes contextos e faixas etárias. A iniciativa Pixels to Policy apresenta, de forma acessível, esta diversidade de formas de jogar e de modelos de negócio.
As motivações também variam. Nos Estados Unidos, os jogadores das gerações mais velhas referem sobretudo manter a mente ativa (65%) e passar o tempo ou relaxar (77%), com uma preferência marcada por jogos de puzzle (73%). Entre os mais novos, jogar é também uma forma de estar com os amigos: 79% dos jogadores norte-americanos das gerações Alpha e Z que jogam com outras pessoas fazem-no com amigos.
Em média, os jogadores europeus dedicam cerca de nove horas por semana aos videojogos, um valor que se mantém estável há vários anos.
Jogar entre gerações
Os videojogos podem ser também um ponto de encontro entre gerações. Nos Estados Unidos, 70% dos pais jogam videojogos e, entre estes, 82% jogam com os filhos, mais de metade (52%) pelo menos uma vez por semana. As razões mais apontadas são a diversão para todos (61%), o convívio (55%) e o tempo em família (55%).
A nível global, o relatório Power of Play indica que 55% dos jogadores com filhos consideram que os videojogos têm um impacto positivo na relação com eles.
Jogar em conjunto é também uma forma de acompanhar a experiência digital dos mais novos. Quando pais e avós conhecem os jogos das crianças, torna-se mais fácil conversar sobre conteúdos, tempo de jogo ou compras nos videojogos. Segundo o relatório europeu, 79% dos pais conhecem as classificações PEGI, uma ferramenta útil também na hora de escolher um jogo para toda a família.
Jogar em família não substitui outras atividades nem dispensa regras claras. Pode, contudo, ser uma oportunidade para definir essas regras em conjunto e acompanhar de forma mais próxima a experiência digital dos mais novos.