A Video Games Europe (VGE), em colaboração com a European Games Developer Federation (EGDF), apresentou a nova edição do relatório anual All About Video Games – European Key Facts, que reúne os principais indicadores sobre a indústria e os jogadores de videojogos na Europa.
A edição de 2025 alarga a análise dos cinco mercados historicamente cobertos (França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido) para 16 países, com a integração de Áustria, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Países Baixos, Polónia, Roménia, Suécia e Suíça. Esta expansão permite uma visão mais alargada da dimensão, diversidade e evolução do setor, embora exija alguma cautela na comparação direta com anos anteriores, como se explica mais adiante.
Para a AEPDV, enquanto associação que representa empresas do setor dos videojogos em Portugal e que mantém uma ligação próxima à Video Games Europe, estes dados são particularmente relevantes para compreender as tendências que atravessam a indústria europeia. Na área Visão Global da Indústria dos Videojogos, a AEPDV acompanha precisamente esta realidade, destacando o papel do setor enquanto motor de inovação, crescimento económico e desenvolvimento de talento tecnológico e criativo.
199 milhões de jogadores mostram a diversidade dos videojogos na Europa
Nos 16 mercados analisados, existem 199 milhões de jogadores entre os 6 e os 75 anos, o equivalente a 51% da população nesta faixa etária.
Os dados contrariam algumas ideias ainda associadas aos videojogos: 77% dos jogadores são adultos, a idade média situa-se nos 34 anos e 46% dos jogadores são mulheres, o equivalente a cerca de 90,5 milhões de europeias. Em média, os jogadores dedicam 8,9 horas por semana a jogar, um valor estável desde 2012.
São números que reforçam uma das mensagens que a AEPDV tem vindo a promover: os videojogos são hoje uma forma de entretenimento transversal a diferentes idades e públicos.
Uma indústria criativa, tecnológica e geradora de emprego
O impacto do setor vai muito além de quem joga. Nos 16 mercados abrangidos pelo GameTrack, a indústria gerou 29,7 mil milhões de euros em receitas. Num âmbito geográfico mais alargado, os dados compilados pela EGDF apontam para aproximadamente 123 mil profissionais empregados no Reino Unido e na União Europeia e para cerca de 8.700 estúdios de desenvolvimento na Europa.
Importa, no entanto, contextualizar este crescimento: uma parte significativa do aumento do volume total de receita e de jogadores resulta da própria expansão da amostra, que passou este ano de cinco para 16 mercados. Nos cinco mercados historicamente comparáveis, a receita de 2025 registou, segundo os dados Ipsos citados no relatório, uma quebra de 4% face a 2024. É um dado relevante para uma leitura equilibrada do momento atual do setor.
Esta realidade está diretamente relacionada com a área que a AEPDV dedica à Indústria dos Videojogos: um ecossistema que reúne criatividade, tecnologia, inovação e talento altamente especializado.
Uma indústria cada vez mais digital
A evolução das formas de jogar e consumir videojogos é outra das tendências evidenciadas pelo estudo. Em 2025, 91% das receitas do setor são digitais, face a 9% em formato físico. Os dispositivos móveis assumem também uma posição relevante: 82% dos jogadores utilizam smartphones ou tablets para jogar, seguindo-se as consolas (47%) e o PC (34%).
É precisamente esta diversidade de formas de jogar que a AEPDV procura ajudar a compreender através de iniciativas como Pixels to Policy, que explica de forma acessível como funciona a indústria, como são desenvolvidos os videojogos e a variedade de modelos de negócio e experiências disponíveis para quem joga.
Famílias envolvidas na experiência digital dos mais novos
De acordo com os dados relativos aos cinco mercados historicamente analisados, 72% dos pais de crianças que jogam afirmam que os filhos não compram conteúdos adicionais dentro dos videojogos. Entre os pais cujos filhos estão autorizados a fazê-lo, 93% monitorizam essas compras. Por sua vez, 78% dos pais de crianças que jogam referem ter um acordo com os filhos sobre o montante e a frequência das compras.
Ao nível das ferramentas de controlo parental, 79% dos pais aplicam uma ou mais ferramentas para monitorizar ou limitar a experiência de jogo dos filhos. Paralelamente, 79% conhecem as classificações etárias PEGI e 75% utilizam-nas quando compram videojogos para os filhos.
Esta é também uma área central do trabalho desenvolvido pela AEPDV através do #SABERJOGAR, onde estão reunidos recursos destinados a ajudar jogadores, pais e educadores a compreender melhor o universo dos videojogos e a promover uma experiência segura, saudável e responsável, nomeadamente através da informação disponível sobre Compras nos Videojogos e sobre o sistema PEGI.
Portugal também está presente no relatório europeu
Portugal não integra a amostra de 16 mercados analisados para os dados relativos a jogadores e receitas. Está, no entanto, presente no relatório de duas formas concretas: nos dados de emprego compilados pela EGDF, relativos a 2024 e publicados em 2026, que apontam para 930 profissionais na indústria portuguesa dos videojogos; e na secção dedicada às iniciativas nacionais de jogo responsável, na qual o #SABERJOGAR da AEPDV surge como a iniciativa portuguesa, ao lado de programas semelhantes em outros 14 países europeus, como o PédaGoJeux em França ou o Ask About Games no Reino Unido.
Para a AEPDV, a inclusão do #SABERJOGAR neste panorama europeu demonstra o alinhamento do trabalho desenvolvido em Portugal com as boas práticas de literacia digital e jogo responsável promovidas pela Video Games Europe.
O compromisso da AEPDV
Os novos Key Facts retratam uma Europa onde os videojogos assumem um peso relevante enquanto indústria criativa, tecnológica e económica, a par de um envolvimento continuado das famílias e da indústria na promoção da segurança e do bem-estar dos jogadores mais novos.
Para a AEPDV, divulgar estes dados em Portugal significa contribuir para um conhecimento mais aprofundado do setor e para uma discussão pública mais informada sobre o seu desenvolvimento no nosso país. Continuaremos a acompanhar e a divulgar os principais dados e tendências da indústria, relacionando a evolução europeia com a realidade do mercado português e dando maior visibilidade ao trabalho realizado a nível nacional.
Consulte o relatório completo e conheça todos os dados do All About Video Games – European Key Facts 2025.
Pode também consultar outros estudos e documentos de referência na área de Publicações da AEPDV, que reúne estudos da associação e de parceiros europeus sobre a indústria dos videojogos.